{"id":554,"date":"2018-10-19T22:13:43","date_gmt":"2018-10-20T01:13:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.editorafigas.com.br\/revista\/?p=554"},"modified":"2018-10-19T22:13:43","modified_gmt":"2018-10-20T01:13:43","slug":"de-rostinho-colado-coracao-com-coracao-o-novo-album-de-blundetto-slow-dance","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.editorafigas.com.br\/revista\/2018\/10\/19\/de-rostinho-colado-coracao-com-coracao-o-novo-album-de-blundetto-slow-dance\/","title":{"rendered":"De rostinho colado, cora\u00e7\u00e3o com cora\u00e7\u00e3o: o novo \u00e1lbum de Blundetto, <em>Slow Dance<\/em>"},"content":{"rendered":"<span class=\"wpsdc-drop-cap\">N<\/span>uma noite quente de novembro de 2017, em Fortaleza, casais de jovens se abra\u00e7avam e colavam o rosto ao do parceiro para mais um baile num clube de Praia de Iracema. A m\u00fasica que sa\u00eda das caixas de som n\u00e3o era forr\u00f3, n\u00e3o era bai\u00e3o, n\u00e3o era bolero, mas todas as duplas ali dan\u00e7avam de olhos fechados num embalo lento e cadenciado, enquanto os poucos que n\u00e3o tinham par conversavam com amigos e bebericavam, sempre balan\u00e7ando no ritmo da m\u00fasica. Aquela era mais uma festa de reggae organizada pelo coletivo Roots and Culture, ou simplesmente RAC, como \u00e9 conhecido pelos seguidores nas redes sociais.<\/p>\n<p>Dan\u00e7ar reggae agarradinho j\u00e1 virou uma tradi\u00e7\u00e3o no nordeste, principalmente em S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o e na capital cearense\u200a\u2014\u200ao Roots and Culture, por exemplo, j\u00e1 h\u00e1 quatro anos re\u00fane casais que bailam juntinhos, cora\u00e7\u00e3o com cora\u00e7\u00e3o, nas festas que ocorrem semanalmente no Reggae Club. O sucesso se reflete nos coment\u00e1rios que os frequentadores fazem nas redes sociais, sempre muito gratos ao projeto. \u201cDeixa s\u00f3 eu dizer que esse baile foi \u00e9pico, s\u00e9rio mesmo! Teve uma hora que eu tava literalmente dormindo, eu ouvia todas as batidas das m\u00fasicas, sentia a energia das pessoas. Eu nem sabia mais onde eu tava, parecia que eu tava s\u00f3\u2026 Isso tudo gra\u00e7as ao RAC, que fez uma festa maravilhosa, e \u00e0s pessoas que fizeram essa festa ficar ainda melhor\u201d, comentou M. J., uma das frequentadoras, sobre um dos bailes.<\/p>\n<p>Sustentando o semitranse dos casais e dos avulsos, a can\u00e7\u00e3o \u201cAbove the Water\u201d, do produtor franc\u00eas Blundetto em parceria com o amigo Biga Ranx, lan\u00e7ada no \u00e1lbum de 2015 <em>World of<\/em>, foi um dos grandes momentos da noite. A cena dos casais abra\u00e7ados, se mexendo lentamente ao som dessa m\u00fasica, foi registrada pela c\u00e2mera de algum celular indiscreto e postada como teaser para a festa seguinte do coletivo: o \u201cBaile dos solteiros + Blackout\/Posso nem ver que quero\u201d (como se l\u00ea no t\u00edtulo do evento no Facebook). Para a surpresa dos organizadores, no dia 20 de novembro o v\u00eddeo foi compartilhado pelo pr\u00f3prio Blundetto, que se disse emocionado com a cena.<\/p>\n<p><iframe title=\"Roots and Culture - &quot;Above the Water&quot;, Blundetto - Fortaleza\/CE\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aU8SCV6aeA0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u201cO v\u00eddeo me tocou porque as pessoas pareciam realmente se comunicar com a m\u00fasica. Algo m\u00edstico emergia da cena. Fiquei particularmente atra\u00eddo porque n\u00e3o imaginava que uma m\u00fasica produzida no meu est\u00fadio, em casa, a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, pudesse ressoar ali como algo concreto e m\u00e1gico. Era como se esse p\u00fablico de reggae do nordeste brasileiro tivesse se apropriado da minha m\u00fasica\u200a\u2014\u200aassim como das de outros artistas\u200a\u2014\u200ade uma maneira muito especial\u201d, disse ele num e-mail \u00e0 FIGAS.<\/p>\n<figure id=\"attachment_557\" aria-describedby=\"caption-attachment-557\" style=\"width: 676px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-557 size-large\" src=\"http:\/\/www.editorafigas.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Blundetto-par-Anthoine-Fyot-1024x730.jpg\" alt=\"\" width=\"676\" height=\"482\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-557\" class=\"wp-caption-text\">Max Guiguet em seu est\u00fadio. Fotografia de Anthoine Fyot.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Blundetto \u00e9 o pseud\u00f4nimo de Max Guiguet. Nascido em Dijon, na Fran\u00e7a, em 1977, ele trabalhou por quase vinte anos na Radio Nova, uma emissora parisiense cuja programa\u00e7\u00e3o musical\u200a\u2014\u200adedicada a cl\u00e1ssicos e contempor\u00e2neos da m\u00fasica brasileira, caribenha, et\u00edope, norte-americana, europeia, entre outras\u200a\u2014\u200a\u00e9 tida por muitos como a melhor entre as r\u00e1dios francesas. Blundetto, ou Max, foi contratado em 1998 para organizar o arquivo de vinis e CDs da r\u00e1dio e, pouco a pouco, se tornou o respons\u00e1vel por toda a sua programa\u00e7\u00e3o musical. \u201cEsse trabalho m\u00e1gico me for\u00e7ou a desenvolver um tipo de esquizofrenia musical: a Radio Nova nunca tocou apenas um tipo de som. Para ir ao ar, uma m\u00fasica devia primeiro ser uma boa composi\u00e7\u00e3o, feita com o cora\u00e7\u00e3o e capaz de dialogar com a alma. Acredite, eu encontrei at\u00e9 mesmo lindas faixas de country music que toc\u00e1vamos l\u00e1\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em seus primeiros \u00e1lbuns, <em>Bad Bad Things<\/em> (2010) e <em>Warm My Soul<\/em> (2012), essa pluralidade de refer\u00eancias se transp\u00f4s mais claramente em suas pr\u00f3prias composi\u00e7\u00f5es ou em suas originais releituras, como \u201cNautilus\u201d, do jazzista Bob James, que ganhou um colorido et\u00edope com o piano de Shawn Lee, ou em \u201cHercules\u201d, um groove quase esquecido de Aaron Neville que se transformou num eletro lento e sincopado na voz de Hugh Coltman.<\/p>\n<p>O reggae sempre havia sido uma influ\u00eancia para Blundetto, j\u00e1 percept\u00edvel no hit \u201cVoices\u201d, do primeiro \u00e1lbum, e em \u201cWarm My Soul\u201d, que d\u00e1 t\u00edtulo ao segundo. Por\u00e9m, a partir de World of, o g\u00eanero jamaicano foi ganhando mais espa\u00e7o, principalmente na forma do dub, at\u00e9 que em seu disco rec\u00e9m-lan\u00e7ado, <em>Slow Dance<\/em> (2018), se fez presente em todas as faixas, do in\u00edcio ao fim. A hom\u00f4nima do disco, inclusive, tem a participa\u00e7\u00e3o de Jahdan Blakkamore, que tamb\u00e9m empresta a voz para a bela vers\u00e3o dub de uma can\u00e7\u00e3o pouco conhecida de Bob Marley, inclu\u00edda em World of: \u201cWork\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_555\" aria-describedby=\"caption-attachment-555\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-555 size-full\" src=\"http:\/\/www.editorafigas.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/item.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-555\" class=\"wp-caption-text\">Capa do novo \u00e1lbum. Divulga\u00e7\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Para Slow Dance, no entanto, o conceito foi outro, e a inspira\u00e7\u00e3o desse conceito, o v\u00eddeo dos meninos do Roots and Culture: \u201cDurante o ver\u00e3o de 2017, comecei a reunir m\u00fasicas para o \u00e1lbum. Diferentemente dos anteriores, em que tamb\u00e9m explorei outros g\u00eaneros musicais, como o soul e o funk, eu queria que este novo \u00e1lbum fosse somente de reggae. Eu estava terminando de compor as can\u00e7\u00f5es desse disco quando meu amigo Biga Ranx me enviou o v\u00eddeo do pessoal do Roots and Culture, de Fortaleza, em que a pista de dan\u00e7a estava repleta de casais movendo-se lentamente ao som de \u2018Above the Water\u2019, que eu havia composto com ele para o disco anterior. Gostei tanto dessa abordagem que o conceito do \u00e1lbum praticamente se imp\u00f4s naquele momento: \u2018Vou fazer um disco de slow dance!\u2019\u201d, resumiu ele.<\/p>\n<p>Ainda assim, ao contr\u00e1rio do que se possa pensar, Max n\u00e3o expressa uma prefer\u00eancia pelo reggae. \u201cEu simplesmente adoro as emo\u00e7\u00f5es que as m\u00fasicas produzem. N\u00e3o consigo me prender a um g\u00eanero em particular porque as emo\u00e7\u00f5es podem se esconder em absolutamente todas as m\u00fasicas\u201d, disse ele. E, para comprovar essa afirma\u00e7\u00e3o, Blundetto nos contou sobre seu novo projeto, uma trilha sonora para um filme que jamais existiu, mas o qual ele gostaria que fosse projetado, atrav\u00e9s de composi\u00e7\u00f5es apenas instrumentais, nas mentes de seus ouvintes: uma sele\u00e7\u00e3o que evoca o cotidiano de um skatista durante os anos 1990.<\/p>\n<p>Enquanto esse filme n\u00e3o \u00e9 exibido em nossas mentes, encontre um par para passar bons momentos com <em>Slow Dance<\/em> (Heavenly Sweetness, 2018):<\/p>\n<p><iframe title=\"Blundetto - Slow Dance (Official Album)\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5NHSz_PhkCA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Numa noite quente de novembro de 2017, em Fortaleza, casais de jovens se abra\u00e7avam e colavam o rosto ao do parceiro para mais um baile num clube de Praia de Iracema. 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