{"id":56,"date":"2018-06-09T15:26:13","date_gmt":"2018-06-09T18:26:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.editorafigas.com.br\/revista\/?p=56"},"modified":"2018-06-09T15:26:13","modified_gmt":"2018-06-09T18:26:13","slug":"as-missas-de-audalio-dantas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.editorafigas.com.br\/revista\/2018\/06\/09\/as-missas-de-audalio-dantas\/","title":{"rendered":"As missas de Aud\u00e1lio Dantas"},"content":{"rendered":"<span class=\"wpsdc-drop-cap\">N<\/span>a \u00faltima ter\u00e7a-feira, 5 de junho, na Catedral da S\u00e9, em S\u00e3o Paulo foi realizada a missa de s\u00e9timo dia do jornalista alagoano Aud\u00e1lio Dantas, falecido na \u00faltima quarta-feira (30 de maio) aos 88 anos no Hospital Premi\u00ea, tamb\u00e9m na capital paulista, em decorr\u00eancia de um c\u00e2ncer de intestino com o qual lutava desde 2015.<\/p>\n<p><em>\u201cH\u00e1 5 dias, da uma da tarde \u00e0s 8 da noite, quase mil pessoas acorreram ao Espa\u00e7o Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas para participar do vel\u00f3rio que celebrava sua longa vida. Gente de todas as \u00e1reas, gera\u00e7\u00f5es, sensibilidades pol\u00edticas, religiosas e filos\u00f3ficas. E ali estava o Aud\u00e1lio, mais vivo do que sempre. Dizendo a esse mar de humanos (por sua hist\u00f3ria de lutas e seu jeito de ser) que agora, mais do que nunca, era preciso empenho redobrado\u200a\u2014\u200ade todos e de cada um\u200a\u2014\u200apela Democracia, pela Justi\u00e7a, pela Paz.<br \/>\nQue as nuvens amea\u00e7adoras, que a tempestade, que os press\u00e1gios devem ser afastados para bem longe. Que n\u00e3o basta Deus querer. \u00c9 preciso que o homem sonhe para que a obra nas\u00e7a. Deitado, sereno, em meio ao vozerio dessas tantas pessoas que ali se reencontravam, Aud\u00e1lio ostentava no peito uma camiseta que lhe foi dada de presente de anivers\u00e1rio no \u00faltimo dia 8 de julho.<\/em><\/p>\n<p>Nela, tr\u00eas palavras bordadas remetiam a um pensamento de Santo Agostinho:<br \/>\nIndigna\u00e7\u00e3o, Coragem, Esperan\u00e7a. Disse Aurelius Augustinus Hipponensis (354\u2013430 d.C. ): \u2018A esperan\u00e7a tem duas lindas filhas: a indigna\u00e7\u00e3o e a coragem. A indigna\u00e7\u00e3o nos ensina a n\u00e3o aceitar as coisas como est\u00e3o; a coragem, a mud\u00e1-las\u2019. Esse foi Aud\u00e1lio Ferreira Dantas, que esteve por aqui durante 88 anos. Agora ficou eterno, como Vlado, Alexandre e Ricardo. Multiplicado em cada um de n\u00f3s. Assim seja.\u201d<\/p>\n<p>Com essa fala carregada de simbolismos, o jornalista S\u00e9rgio Gomes encerrou a homenagem p\u00f3stuma a Aud\u00e1lio, lembrando de outras mortes que foram veladas na mesma Catedral da S\u00e9, \u201conde se chorou a perda e bradou-se contra a viol\u00eancia\u201d: a do estudante Alexandre Vannuchi Leme (22), do jornalista Vladimir Herzog (38) e do carroceiro Ricardo Silva Nascimento (39).<\/p>\n<p>Entre essas mortes, assassinatos cometidos por agentes da Ditadura Militar que se abateu sobre o pa\u00eds de 1964 a 1985, uma em especial liga o jornalista S\u00e9rgio Gomes \u00e0 figura de Aud\u00e1lio Dantas, amigos pr\u00f3ximos at\u00e9 o \u00faltimo momento: a de Vladimir Herzog.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7aram a prender jornalistas em outubro de 1975, e o Vlado estava na lista. Foram muitos mais, mas tinham doze jornalistas presos, na verdade sequestrados, todos eles foram levados para o DOI-Codi, sendo que o Vlado foi o \u00faltimo deles, era o d\u00e9cimo segundo. Houve aquele acordo pra ele se apresentar no dia seguinte, ele se apresentou e, no mesmo dia, 25 de outubro, foi morto sob tortura\u201d, me contou Aud\u00e1lio em uma entrevista realizada em 2013.<br \/>\nDos doze jornalistas presos naquela ocasi\u00e3o, S\u00e9rgio Gomes havia sido o primeiro, no dia 5 daquele m\u00eas. Na sequ\u00eancia vieram Frederico Pessoa da Silva, Ricardo Moraes Monteiro, Luiz Paulo Costa, Marinilda Marchi, Paulo Markun, Dil\u00e9a Frate, Rodolfo Konder, George Duque Estrada, Anthony de Christo e Jos\u00e9 Vidal Pola Gal\u00e9.<\/p>\n<p>Nascido em Tanque D\u2019Arca Aud\u00e1lio iniciou sua carreira em 1954 na\u00a0<em>Folha da Manh\u00e3\u00a0<\/em>(atual\u00a0<em>Folha de S. Paulo<\/em>) e j\u00e1 havia escrito muitas hist\u00f3rias antes de se tornar ele pr\u00f3prio protagonista desta que envolveu a morte de um companheiro seu.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, Aud\u00e1lio era o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de S\u00e3o Paulo. Foi a nota da entidade a primeira a atribuir ao Estado a responsabilidade sobre a morte do jornalista e a denunciar o sequestro dos demais colegas, em uma resposta \u00e0 nota oficial do II Ex\u00e9rcito, sediado em S\u00e3o Paulo, que afirmava que Herzog havia se suicidado.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o obstante as informa\u00e7\u00f5es oficiais fornecidas pelo II Ex\u00e9rcito, em nota distribu\u00edda \u00e0 imprensa, o Sindicato dos Jornalistas deseja notar que, perante a lei, a autoridade \u00e9 sempre respons\u00e1vel pela integridade f\u00edsica das pessoas que coloca sob sua guarda. O Sindicato dos Jornalistas, que ainda aguarda esclarecimentos necess\u00e1rios e completos, denuncia e reclama das autoridades um fim a esta situa\u00e7\u00e3o, em que jornalistas profissionais, no pleno, claro e p\u00fablico exerc\u00edcio de sua profiss\u00e3o, cidad\u00e3os com trabalho regular e resid\u00eancia conhecida, permanecem sujeitos ao arb\u00edtrio de \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a, que os levam de suas casas ou de seus locais de trabalho, sempre a pretexto de que ir\u00e3o apenas prestar depoimento, e os mant\u00eam presos, incomunic\u00e1veis, sem assist\u00eancia da fam\u00edlia e sem assist\u00eancia jur\u00eddica, por v\u00e1rios dias e at\u00e9 por v\u00e1rias semanas, em flagrante desrespeito \u00e0 lei. Trata-se de uma situa\u00e7\u00e3o, pelas suas peculiaridades, capaz de conduzir a desfechos tr\u00e1gicos, como a morte do jornalista Vladimir Herzog, que se apresentara espontaneamente para um depoimento\u201d, dizia o texto.<\/p>\n<p>Sediado ainda hoje na rua Rego Freitas, na Vila Buarque, em S\u00e3o Paulo, o Sindicato dos Jornalistas foi o palco das reuni\u00f5es que definiram o enfrentamento, que num primeiro momento era apenas da categoria, mas que logo ganhou a ades\u00e3o de outros setores da sociedade, contra o regime de exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO processo de rea\u00e7\u00e3o da sociedade em geral contra o assassinato do Vlado se deu a partir dessa manifesta\u00e7\u00e3o que ocorreu primeiro no vel\u00f3rio. O n\u00famero de pessoas era grande, principalmente de jornalistas e artistas. E depois, no dia seguinte, durante o sepultamento, j\u00e1 havia cerca de mil pessoas presentes, e o processo seguiu com manifesta\u00e7\u00f5es de diversos setores da sociedade at\u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do culto ecum\u00eanico\u201d, como contou Aud\u00e1lio na mesma entrevista concedida em 2013.<\/p>\n<figure id=\"attachment_58\" aria-describedby=\"caption-attachment-58\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-58\" src=\"http:\/\/www.editorafigas.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/audalio2.jpeg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"666\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58\" class=\"wp-caption-text\">Aud\u00e1lio durante o vel\u00f3rio de Vladimir Herzog. Fotografia de Elvira Alegre.<\/figcaption><\/figure>\n<p>A imagem acima mostra Aud\u00e1lio Dantas durante o vel\u00f3rio de Herzog e foi feita pela jornalista Elvira Alegre, ligada ao jornal\u00a0<em>Ex<\/em>, publica\u00e7\u00e3o da m\u00eddia alternativa produzido entre 1973 e 1975, com periodicidade mensal. A edi\u00e7\u00e3o de outubro de 1975 denunciava em sua capa o assassinato de Herzog, mas as fotos acabaram n\u00e3o sendo publicadas. A edi\u00e7\u00e3o vendeu 50 mil exemplares e acarretou o fechamento do jornal pelos militares.<\/p>\n<p>\u201cEu s\u00f3 fui conhecer a foto dez anos depois do acontecimento. Ent\u00e3o, quando tomei conhecimento dela, procurei na minha mente restabelecer aquele momento e n\u00e3o consegui saber se eu estava dormindo, cochilando\u200a\u2014\u200aporque eu estava h\u00e1 uma semana praticamente sem dormir\u200a\u2014\u200a, ou se eu estava apenas numa atitude de medita\u00e7\u00e3o sobre o que deveria ser feito\u201d, disse Aud\u00e1lio na entrevista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_59\" aria-describedby=\"caption-attachment-59\" style=\"width: 2000px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-59\" src=\"http:\/\/www.editorafigas.com.br\/revista\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/audalio3.jpeg\" alt=\"\" width=\"2000\" height=\"444\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-59\" class=\"wp-caption-text\">Vel\u00f3rio de Vladimir Herzog. Fotografias de Elvira Alegre.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O vel\u00f3rio foi realizado no Hospital Albert Einstein no dia seguinte \u00e0 morte de Herzog e contou com uma vig\u00edlia de jornalistas ligados ao sindicato. O enterro aconteceu no dia seguinte, no Cemit\u00e9rio Israelita, e ao final foi convocada uma nova reuni\u00e3o na sede da entidade para definir os pr\u00f3ximos passos. O momento foi assim registrado no livro de Aud\u00e1lio,\u00a0<em>As duas guerras de Vlado Herzog: da persegui\u00e7\u00e3o nazista na Europa \u00e0 morte sob tortura no Brasil<\/em> (Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira, 2012):<\/p>\n<p><em>\u201cAgora a urg\u00eancia era para que o caix\u00e3o descesse \u00e0 sepultura. De repente, n\u00e3o sei a partir de que instante, vi-me segurando, com outras pessoas, uma corda que sustinha o caix\u00e3o, que come\u00e7ou a descer. Imediatamente, munido de uma p\u00e1, o homenzinho come\u00e7ou a jogar terra na cova, atropelando a tradi\u00e7\u00e3o<\/em> [<em>judaica<\/em>]\u00a0<em>que d\u00e1 aos parentes diretos do morto a primazia de atirar os primeiros punhados de terra.<\/em><\/p>\n<p><em>Muitos carros que seguiram o cortejo ainda n\u00e3o haviam chegado ao cemit\u00e9rio, entre eles o que levava dona Zora, m\u00e3e de Vlado. Apesar da idade avan\u00e7ada, ela caminhava depressa, quase correndo, mas s\u00f3 conseguiu chegar ao t\u00famulo quando os homens da kadisha jogaram as \u00faltimas p\u00e1s de terra sobre o corpo do filho.<\/em><\/p>\n[\u2026]\n<p><em>Um grito, que n\u00e3o se sabe de quem partiu, convocou:<\/em><\/p>\n<p>\u2014\u00a0<em>Vamos para o Sindicato!<\/em><\/p>\n<p><em>Come\u00e7ava ali, imediatamente, a convoca\u00e7\u00e3o para o que se transformaria numa formid\u00e1vel assembleia extraordin\u00e1ria. Algu\u00e9m se aproximou de mim, perguntando a que horas seria a reuni\u00e3o. N\u00e3o me detive a pensar, respondi automaticamente: \u2018\u00c0s seis horas\u2019. A convoca\u00e7\u00e3o foi passando, em voz baixa, de boca em boca: \u2018Reuni\u00e3o no Sindicato, \u00e0s seis horas\u2019.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Naquela reuni\u00e3o, decidiu-se batizar o audit\u00f3rio com o nome do jornalista morto. O jornalista David de Moraes prop\u00f4s a mobiliza\u00e7\u00e3o em torno de uma missa de s\u00e9timo dia, mas, sendo Vlado judeu, optou-se por um culto ecum\u00eanico, realizado na Catedral da S\u00e9 no dia 31 de outubro de 1975.<\/p>\n<p>Naquele dia, Aud\u00e1lio teve a ideia de escrever um livro sobre o epis\u00f3dio do qual participara ativamente, projeto que s\u00f3 seria concretizado em 2012, mais de trinta anos depois\u200a\u2014\u200acertamente sua reportagem mais longa.<\/p>\n<p><em>\u201cO projeto do livro nasceu no exato momento em que, descendo as escadarias da Catedral da S\u00e9, em S\u00e3o Paulo, vi a multid\u00e3o\u200a\u2014\u200a8 mil pessoas\u200a\u2014\u200aque participara, em protesto silencioso, do culto ecum\u00eanico \u00e0 mem\u00f3ria de Vladimir Herzog escoar-se pelas esquinas da pra\u00e7a que, aos poucos, se esvaziou. Aquele vazio, no fim da tarde de 31 de outubro de 1975, estava carregado de simbolismos. [\u2026] O Brasil inteiro estava em suspenso naquele momento em que, na previs\u00e3o sinistra de uma autoridade, tudo poderia acontecer. Mas o vazio da pra\u00e7a tinha o sentido de um marco na luta contra a ditadura que, no dizer de um dos oficiantes do ato ecum\u00eanico, dom Helder C\u00e2mara, come\u00e7ava a cair naquele instante. Ao descer as escadarias da catedral tive a certeza de estar vivendo o in\u00edcio de um novo cap\u00edtulo na hist\u00f3ria das lutas do povo contra a opress\u00e3o\u201d<\/em>, escreveu Aud\u00e1lio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h10><iframe title=\"Morte de Vladimir Herzog completa 40 anos\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vCdbtN_d6YA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe> Aud\u00e1lio Dantas fala durante culto ecum\u00eanico em homenagem a Herzog. Imagens do document\u00e1rio \u201cVlado\u200a\u2014\u200a30 anos depois\u201d de Jo\u00e3o Batista de Andrade<\/h10>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ditadura militar estava nas m\u00e3os do general Ernesto Geisel, que ocupava ent\u00e3o a presid\u00eancia do pa\u00eds. Naquele momento ainda n\u00e3o se sabia, mas Geisel havia autorizado, em 1\u00ba de abril do ano anterior\u200a\u2014\u200aexatos dez anos ap\u00f3s o Golpe de 1964\u200a\u2014\u200aa execu\u00e7\u00e3o de opositores do regime que fossem considerados subversivos. A informa\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi revelada este ano em um documento da CIA tornado p\u00fablico recentemente pelo governo norte-americano.<\/p>\n<p>Na missa de Aud\u00e1lio, a catedral n\u00e3o estava lotada. Nos bancos pr\u00f3ximos ao altar se sentavam figuras hist\u00f3ricas do jornalismo brasileiro, hoje j\u00e1 quase esquecidas pelo grande p\u00fablico, junto de quadros conhecidos da esquerda paulistana e familiares de Dantas. Quando dom Od\u00edlio Scherer encerrou a missa, houve muitos abra\u00e7os fraternos, e ent\u00e3o as pessoas logo se escoaram pelas portas da igreja e desapareceram pelas ruas do centro da cidade. N\u00e3o houve gritos por \u201cDiretas j\u00e1\u201d, nem \u201cLula livre\u201d, e muito menos um cardeal pregando que nossa democracia em breve renasceria. Por isso mesmo, \u00e9 preciso reviver Aud\u00e1lio. Aud\u00e1lio vive!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00faltima ter\u00e7a-feira, 5 de junho, na Catedral da S\u00e9, em S\u00e3o Paulo foi realizada a missa de s\u00e9timo dia do jornalista alagoano Aud\u00e1lio Dantas, falecido na \u00faltima quarta-feira (30 de maio) aos 88 anos no Hospital Premi\u00ea, tamb\u00e9m na capital paulista, em decorr\u00eancia de um c\u00e2ncer de intestino com o qual lutava desde 2015. 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